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Encerro, pelo menos por enquanto, a seção (foi uma sessão também) de fotografia aqui no blog. Segue então um artiguinho sobre o livro homônimo ao título do post. A foto, meramente ilustrativa e itencionalmente abstrata, é de Bruno Schmidt Marques, levemente editada.

A fotografia exerce certo fascínio sobre todos nós. Em determinadas pessoas, no entanto, ela atiça uma curiosidade particular, crescente e contínua, mesmo que não apareça como uma constante na vida profissional. É o caso, por exemplo, de Susan Sontag. A escritora norte-americana de variados estilos, meios e formatos publicou, em 1977, Sobre Fotografia, livro onde, segundo ela mesma, tenta solucionar “alguns dos problemas, estéticos e morais, propostos pela onipresença das imagens fotográficas”. De fato, a obra retrata uma busca insaciável por um conceito de fotografia. Não no sentido técnico, e nem do ponto de vista comunicacional mais direto, mas sim sob uma ótica sócio-antropológica.
O livro de Sontag reúne seis artigos, que, pelo menos supostamente, abordam de maneiras distintas o tema central proposto. Entretanto, ao estudar os ensaios logo é possível perceber que, no fundo, a autora possui sempre o mesmo argumento ou, pelo menos, vários bem parecidos. Ela explica que a fotografia, em semelhança ao medo existente na época do seu surgimento, apropria-se de certa forma da coisa fotografada, já que passa a ser uma representação material daquilo. Fala também da potencialidade narrativa da fotografia, como nos álbuns de família. O conjunto conta uma história, pois cada foto capturou um instante da vida daquelas pessoas: “Tirar uma foto é participar da mortalidade, da vulnerabilidade e da mutabilidade de outra pessoa (ou coisa). Justamente por cortar uma fatia desse momento e congelá-la, toda foto testemunha a dissolução implacável do tempo”.
Sontag argumenta que, sob outras circunstâncias, esse frame capturado pode servir como arma – violações, invasões de privacidade ou imagens marcantes que, congeladas em fotografias, chocam mais do que em movimento – ou então como escudo. Atrocidades podem ser fotografadas como forma de distanciamento do fato – a pessoa com a câmera em mãos clica para registrar o momento em sua memória fotográfica e livrar a mente daquela imagem. Caso semelhante, diz a autora, ao dos turistas, que fotografam tudo que vêem pela frente em uma tentativa desesperada de armazenar suas viagens. Depois, em casa, ao analisar as fotos é que eles vão de fato descobrir o ambiente no qual estiveram. Isso corrobora com a tese de que, hoje, a representação do real causa menos estranheza do que a própria realidade. Sontag ilustra com o exemplo da pessoa que, para explicar o quão real foi o fato que presenciou, o define como “coisa de cinema”. Qualificação que no início do século passado, por exemplo, ganharia sentido contrário ao atual.
De diversas maneiras a autora tenta explicitar esse seu conceito de fotografia enquanto captura do real. Propositalmente ou não, cria um discurso em looping. Não importa qual seja o assunto do ensaio, uma análise da cultura fotográfica estado-unidense ou um estudo teórico sobre o mundo-imagem, o conceito de Sontag está sempre presente. Mesma essência com rótulos diferentes.
A repetição, nesse caso, prejudica pela redundância, mas ganha pela fixação do conteúdo. A maior questão, então, fica por conta da defasagem temporal e tecnológica entre o livro, escrito no analógico e distante ano de 1977, e a realidade em que vivemos. Susan Sontag morreu em 2004, no começo do grande boom da fotografia digital que assolou o mundo. Não chegou a presenciar a “revolução” que traria novos ares a algumas de suas idéias. Ela dizia que “a força das imagens fotográficas provém de serem elas realidades materiais por si mesmas, depósitos fartamente informativos deixados no rastro do que quer que as tenha emitido, meios poderosos de tomar o lugar da realidade – ao transformar a realidade numa sombra”. Oras, são raras as imagens atuais de fato materiais. E mesmo as impressas provavelmente já sofreram algum processo de manipulação digital. Assim, não estariam as fotografias ainda capturando o real, mas perdendo a capacidade, e a credibilidade, de reproduzi-lo fielmente? A exemplo dos trabalhos mais recentes de Annie Leibovitz (que, coincidentemente, foi companheira de Sontag por muitos anos), a fotografia intensamente manipulada está mais próxima da pintura do que da arte fotográfica propriamente dita. Ironicamente, a fotografia parece estar caminhando para uma estética pré-fotográfica.
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Tempo de vacas magras, eu sei. Abaixo, video que talvez possa interessar.
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A proposta deste blog é falar de cinema. E mesmo que isto aqui esteja meio jogado às traças, pretendo manter a linha editorial. Hoje, entretanto, na primeira atualização em meses, o assunto é outro. Uma homenagem ao Dia Mundial da Fotografia, comemorado ontem, 19 de agosto. Publico então um mini-artigo/biografia sobre Robert Frank, escrito em colaboração com minhas colegas Carine Wallauer, Roberta Roth e Simone Bertuzzi para a disciplina de Fotojornalismo, e algumas fotos do principal trabalho de Frank, o livro The Americans.

Pessoas e objetos rotineiros. Sujeitos presentes em toda parte, que passam despercebidos, sobre os quais não refletimos. Esse, pode-se dizer, foi o mote, a característica marcante das fotografias do suíço Robert Frank, um dos mais norte-americanos fotógrafos do século XX. Nascido em 1924, em Zurique, Frank teve lá seu primeiro contato com a fotografia, inspirado pelos periódicos ilustrados da Europa da década de 1930.
Robert Frank, no entanto, nunca se preocupou em retratar o próprio país ou seu desolado continente pós-guerra. No final da década de 1940 viajou pela América do Sul e logo em seguida foi procurar trabalho nos Estados Unidos, dita terra da liberdade. Em Nova York foi apadrinhado por diversos fotógrafos locais. Trabalhou com moda por algum tempo, mas, apesar de compensatória, a fotografia de moda era segura. E o excesso de segurança, ou a falta do risco, havia sido um dos motivos pelos quais Frank havia deixado a Suíça. Segundo ele mesmo, o que mais o atraía nos Estados Unidos antes de chegar lá eram os banheiros e as geladeiras. No entanto, a primeira coisa que o impressionou quando desceu do avião foi uma auto-estrada repleta de carros. O símbolo de liberdade de um país onde, com um automóvel, se pode ir do Atlântico ao Pacífico. Foi o que ele fez.

Bolsista da Fundação Guggenheim, Frank cruzou a “América” entre 1955 e 1956, fotografando uma face mais sombria e realista do país que propagava aos quatro cantos do mundo a perfeição cinematográfica de Hollywood. Muito comparado a On the Road, livro de Jack Kerouac também fruto de uma viagem rodoviária pelos Estados Unidos, o projeto de Robert Frank surgiu como uma forma de elucidar o povo americano sobre ele mesmo, tentar trazer um reflexo àquele país de dimensões continentais.
À medida que Frank viajava de Chicago a São Francisco, de Houston a Nova York, o futuro livro tomava forma e se tornava mais focado. O fotógrafo passou a se tornar atraído não simplesmente por objetos e personagens concretos (bandeiras, cowboys, motociclistas, jukeboxes…), mas pelo sentimento que esses transmitiam. O que o atraía em hotéis era a solidão, a melancolia das luzes noturnas, o isolamento das pessoas sentadas em paradas de ônibus. Suas fotos, embora muitas vezes passem a idéia de movimento, são imagens estáticas, congeladas, de personagens imóveis. Recurso, segundo Frank, essencial para uma boa fotografia: “A foto é tanto mais interessante quando nos faz pensar no que aconteceu antes e no que acontecerá depois – a imagem fixa permanecendo no meio”. Raramente conversava com as pessoas que fotografava. O objeto não era o que mais importava pra ele, mas o que se podia sentir sobre e através dele.
Ao final de sua viagem de quase dois anos Robert Frank possuía cerca de 28000 negativos. Desses, publicou 83 em seu livro, intitulado simplesmente The Americans. Editado pelo fotógrafo francês Robert Delpire, com textos de Alain Bosquet e prefácio de Jack Kerouac, o livro foi lançado na Europa em 1958. Um ano mais tarde, quando chegou aos Estados Unidos, The Americans desagradou aos próprios intitulados, os americanos, que se viram muito menos glamorosos do que julgavam ser. Frank chegou a ser considerado como mais um estrangeiro empenhado em destruir a imagem da “América”. Foi comparado a Walker Evans, americano nato que fotografara na década de 30 projeto semelhante, mas a serviço do governo, através da Farm Security Administration. Evans dignificara a miséria estado-unidense, e Frank, apesar de fascinado pelo país, desmontou tudo. Hoje, nos Estados Unidos e em qualquer lugar, The Americans é considerado um marco na história da fotografia.

Publicado o livro, Robert Frank não realizou mais nenhum trabalho fotográfico inédito de complexidade ou relevância semelhante. Tornou-se um artista de vanguarda, conceitual. Com o passar do tempo sua obra se tornou mais flexível, informal, e muito ligada à idéia de movimento. Realizou composições de forma dinâmica, desequilibradas, fora de ordem, instáveis, fora de foco, muito claras ou muito escuras. Por vezes, parecendo que nem sequer olhava através do visor ou verificava os controles da câmara. No entanto, Frank havia aprendido o suficiente sobre a relação entre tons e escalas para provocar a sensação de peso ou leveza que desejava. Sabia que as sombras ou os desfoques deveriam ser legíveis, ou até mesmo abstratos, mas ainda assim expressivos e instigantes. Percebeu também, cada vez mais profundamente, que seu estilo anterior, refinado, lírico, era grosseiramente incapaz de transmitir a dureza da vida que encontrou, bem como a multiplicidade de incertezas de seus próprios sentimentos e experiências.

A partir de 1959 Robert Frank passou a se dedicar ao cinema. Seu primeiro filme, Pull My Daisy, teve Jack Kerouac como narrador e seguiu os passos da recém-formada geração beat, composta principalmente por artistas libertários, hedonistas e, de certa forma, espiritualizados. De 1959 até 2000, ano de lançamento de seu último filme, Frank realizou 21 projetos cinematográficos. Curiosamente, só ocupou a posição de diretor de fotografia em três deles.

Bem, como dá para ver, o blog hibernou em pleno verão. No post anterior eu disse que ia tentar mantê-lo ativo durante as férias… não deu. Mas agora, com o ano de fato começando, tudo volta ao normal. Para então dar início a 2009 por aqui segue o texto abaixo, sobre o temido Oscar:
. . . . A cerimônia de entrega dos prêmios da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood é uma grande festa para o cinema dos Estados Unidos. E uma grande ironia também. Criação de um país que se diz defensor da democracia e da liberdade, o Oscar tem um conhecido histórico de injustiças. Está certo que na maioria dos casos os vencedores fazem por merecer, mas não ganham a estatueta dourada exatamente por seus méritos. Ganham devido às grandes campanhas que os estúdios empreendem nos bastidores. Festinhas particulares, presentes para os votantes e por aí vai. Por isso que quase todo ano existe um filme franco favorito ao prêmio: ele não é descaradamente superior aos demais, ele simplesmente fez a melhor campanha.
. . . . E foi isso o que aconteceu em 2009. Quem Quer Ser um Milionário? (Slumdog Millionaire, Inglaterra/França, 2008) foi um projeto feito com pouco dinheiro, na raça dos seus realizadores. Os estúdios Fox viram no filme uma luz dourada e resolveram comprar os direitos para a distribuição nos Estados Unidos. Fizeram uma grande campanha na temporada-prêmio seguindo a linha “o patinho feio que virou cisne”. Deu certo. O longa arrecadou 8 Oscars no dia 22 de fevereiro, incluindo o de melhor filme. Infelizmente, poucos deles realmente merecidos. Contando a história de um favelado indiano que inesperadamente chega à pergunta de 20 milhões de rúpias em um programa de TV, Quem quer ser um milionário? é um falso filme diferente. Tem um enredo diferente, uma estética diferente e uma narrativa diferente, mas resulta no mesmo clichê de sempre. No fundo, o filme segue a estrutura dos contos de fadas infantis, substituindo a magia por coincidências do destino.
. . . . Dentre os demais indicados ao Oscar de melhor filme, realmente não se pode dizer que houvesse uma obra-prima. Mas, na minha opinião, pelo menos dois dos concorrentes seriam mais merecedores do grande prêmio. Frost/Nixon (EUA/Inglaterra/França, 2008) acerta em cheio ao mostrar os bastidores da entrevista em que o ex-presidente americano Richard Nixon confessa os crimes cometidos durante seu mandato. As atuações de Frank Langella (deveria ter ganho como melhor ator) e de Michael Sheen, como Nixon e seu entrevistador, respectivamente, são fantásticas. Já O Curioso Caso de Benjamin Button (The Curious Case of Benjamin Button, EUA, 2008) segue uma linha mais clássica: a jornada do personagem ao longo da vida. Apesar de parecer bem original, a saga de um homem que nasce velho e vai rejuvenescendo acaba caindo no lugar comum. A atuação de Brad Pitt também não ajuda, mas o detalhe é que, mesmo com essas falhas, o longa é extremamente bem feito e cumpre fielmente a sua proposta, ser um filme sobre histórias humanas.
. . . . Para encerrar, um ótimo título que nem sequer figurou entre os indicados à categoria principal: Dúvida (Doubt, EUA, 2008). O roteiro, baseado na peça teatral homônima, é tão bom que seria uma pena contar aqui o enredo. Basta dizer que excelentes atuações e debates inéditos em uma sociedade presa sempre às mesmas discussões fazem de Dúvida um dos melhores filmes do ano. Grande coisa que não tenha ganhado nenhuma estatueta. Afinal, Oscar é Oscar, e nada mais.
Publicado originalmente na revista News – Nº 81.
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Começo essa postagem falando do próprio blog. Quer dizer, é só pretexto para eu me auto-promover um pouco, mas preciso falar: o Sobretudocinema apareceu na Zero Hora. Isso mesmo. Este humilde blog saiu num dos principais jornais do Rio Grande do Sul. Na verdade tudo começou ano passado, quando eu ganhei a promoção de ZH para fazer parte do Júri Popular do Festival de Cinema de Gramado. Durante aquela semana – além de dormir, comer e rir de graça – eu tive a oportunidade de escrever diariamente em Zero Hora pequenos relatos da vida de jurado.
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Bem, um ano se passou e agora o Lerina (Roger), “dono” da contracapa do Segundo Caderno, pediu para eu escrever um testículo sobre o ser jurado em Gramado e chamando o pessoal para a promoção desse ano. Junto com meu texto o pessoal do jornal falou mais sobre o Júri Popular e, ali, meu blog foi citado.
Abaixo, o texto de ZH sobre a promoção do Júri Popular:
Quer ser jurado do Festival de Gramado?
Chega a sua terceira edição uma das iniciativas mais elogiadas do Festival de Cinema de Gramado. Desde 2006, o Júri Popular da competição é formado por leitores cinéfilos de alguns dos principais jornais brasileiros, entre eles Zero Hora, que elegem o vencedor de um dos mais importantes Kikitos do certame.
ZH lança hoje uma promoção para escolher o representante do jornal nesse júri - no ano passado, o escolhido foi o estudante de jornalismo Eduardo Nozari, de São Leopoldo.
O número de integrantes do Júri Popular vem crescendo desde que foi criado o novo formato: em 2007, foram 12 jurados, escolhidos por veículos de imprensa de nove Estados; agora, na 36º edição do festival, o grupo será formado por 15 leitores. De 10 a 16 de agosto, esses jurados terão que assistir a 11 longas-metragens (seis brasileiros e cinco latino-americanos), entre os quais decidirão que títulos levarão os prêmios de melhor filme nacional e estrangeiro.
Zero Hora está outra vez integrada ao concurso. Para participar, é só clicar aqui e escrever sua opinião sobre o melhor filme brasileiro que você tenha visto recentemente. O texto deve ser enviado até o dia 31 deste mês e ter no máximo 950 caracteres. O vencedor será escolhido pela equipe do Segundo Caderno e ganhará da organização do Festival de Gramado translado, estadia e alimentação - assumindo, em contrapartida, o compromisso de assistir a todos os filmes das mostras competitivas de longa-metragem.
Em 2006, o primeiro jurado eleito por ZH para o Festival de Gramado foi o santa-cruzense Tiago Rech, então estudante de jornalismo que atualmente estuda cinema em Los Angeles, nos EUA. No ano passado, foi a vez de Eduardo Nozari, que mantém o blog de cinema sobretudocinema.wordpress.com, representar os leitores do jornal na competição.
Já o texto que eu escrevi vou publicar logo mais, junto com aqueles do Festival do ano passado. Mas, enquanto isso, pode ser conferido no Primeira Fila, o blog sobre cinema da Zero Hora. Lá, aliás, também tem um vídeo que me fizeram gravar. Tudo em nome do cinema.
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O Cinesystem respondeu. Segue a resposta completa, em dois blocos:
“Olá Sra. Mariana!
Observamos no seu contato realizado através do nosso Fale Conosco, que a senhora citou o fato de não estar em cartaz o filme ‘Sex and the City’. Informamos que ele estreará em nosso multiplex de São Leopoldo nesta sexta-feira, dia 13 de junho.
Acesse nosso site e confira a programação, que é atualizada toda quinta-feira. Aguardamos a sua visita, recebê-la em nosso cinema é muito importante”.
A outra parte:
“Olá Sra. Mariana!
Seu contato é muito importante para aprimorarmos os nossos serviços. A equipe Cinesystem trabalha constantemente para oferecer a senhora o melhor momento em entretenimento.
Agradecemos o seu elogio ao trabalho realizado no período do Oscar.
Sentimos muito não atendê-la em alguns momentos. A definição da nossa programação acontece semanalmente, após algumas análises, entre elas: desempenho dos filmes em cartaz, perfil do público local e, entre outras, número de cópias disponíveis dos filmes que estrearão ou que já estão em cartaz. Filmes como ‘Rolling Stones – Shine a Light’, ‘Piaf – Um hino ao Amor’, e outros citados, possuem poucas cópias para serem trabalhadas. Diante disso, algumas vezes exibimos filmes mesmo após a sua estréia nacional, pois nosso objetivo é proporcionar-lhe também uma programação variada, já outros não são exibidos, pois concentram-se apenas em alguns circuitos.
Seu e-mail foi encaminhado ao departamento responsável que o analisará com muita atenção e fará o possível para atendê-la. Recebê-la em nosso cinema é sempre muito importante.
O Cinesystem mantêm-se a sua disposição,
Sâmara Kurihara – Atendimento ao cliente
Cinesystem Cinemas”.
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Hoje à tarde uma cinéfila e amiga minha enviou ao Cinesystem um e-mail de protesto. Cinesystem, para quem não sabe, é a empresa que administra as cinco únicas salas de cinema de São Leopoldo. Resolvi então publicar esse texto dela aqui. Acho que reflete bem o pensamento e as dúvidas de boa parte dos freqüentadores dos cinemas leopoldenses.
O e-mail:
“Prezados (as),
Sou freqüentadora assídua das salas de cinema e venho acompanhando a grade de programação do Cinesystem de São Leopoldo todas as semanas. E, infelizmente, a programação às vezes deixa muito a desejar por períodos prolongados. Ao conferir o que irá estrear amanhã, percebi que o filme Sex and the City ficou fora de exibição, fato que muito me espanta, uma vez que esta é uma estréia muito aguardada pelo público, estando em constante divulgação nos meios de comunicação. Mas o fato mais surpreendente é que desta vez trata-se de um filme bastante comercial, diferente dos mais conceituados, com premiações internacionais, boas histórias e roteiros inteligentes, com os quais estamos acostumados em não vê-los tão seguidamente na programação do Cinesystem.
A programação de São Leopoldo caracteriza-se basicamente por filmes popularmente chamados de ‘água com açúcar’, ou então as grandes produções do cinema norte-americano (Quarteto Fantástico, A Bússola de Ouro, Jumper, Speed Racer, Homem de Ferro, Indiana Jones…). Não tenho nada contra esses tipos de filme, pelo contrário, esses, além de fazerem parte de um gênero importante da sétima arte, promovem a sustentação da indústria cinematográfica, caracterizando-se por sucessos de bilheteria. No entanto, há muita produção apoiada pela crítica que fica de fora. E nesta lista podemos citar alguns filmes europeus (A Vida dos Outros, Piaf), produções mais independentes e também aquelas cujo enredo é mais político/histórico/econômico (podem ser citados os longas Leões e Cordeiros, Bobby e O Preço da Coragem).
Mas, por outro lado, não posso deixar de parabenizá-los pela exemplar programação disponível na época do Oscar, no início deste ano. Todos os principais filmes foram exibidos, embora alguns com atraso em relação à Capital, diferentemente do que ocorreu no ano passado em mesma época. No Oscar de 2007, o filme Babel não passou por nossas salas e, embora perdesse a disputa mais tarde, era apontado como um dos favoritos à estatueta. Na premiação do Globo de Ouro do mesmo ano, a atriz Meryl Streep, em seu discurso ao ganhar o prêmio de melhor atriz em um filme comédia/musical, citou os filmes que estavam concorrendo à estatueta e disse que, caso um deles não estivesse passando nas salas de nossos cinemas, era para perguntarmos aos gerentes o motivo, pois tudo o que é pedido com jeito e com classe é mais provável que se obtenham resultados.
Então, seguindo o conselho da atriz, faço aqui meu questionamento, pois certamente há motivos que desconheço para explicar o porquê de tal situação ocorrer com freqüência, talvez algo que alguém experiente no ramo possa me informar. Acredito que não seja financeiramente vantajoso manter sempre uma programação variada, sendo mais seguro apostar em filmes com maior apelo comercial. Mas, no entanto, é difícil compreender que ainda haja público para uma programação que segue praticamente a mesma por quatro semanas (Homem de Ferro, por exemplo, está em cartaz desde o dia 2 de maio). E ressalvo ainda que isto é uma característica local, pois a programação dos porto-alegrenses é privilegiada, mesmo tendo Porto Alegre uma vasta variedade de salas de exibição, pois o fato de uma cidade possuir apenas uma rede de cinema em princípio não a impediria de ter uma programação diversificada.
A conclusão que faço destas observações e da análise da programação do Cinesystem é que, mesmo tendo ocasiões que é bem diversificada e prioriza as premiações, esta não se mantém desta forma durante muito tempo. Passado certo período, nos deparamos de novo com uma escassez de estréias, que se estende por semanas, e quase acabamos ‘decorando’ as opções que sempre se repetem. Enquanto isso lamentamos a não-estréia de Across the Universe, Não Estou Lá, The Rolling Stones: Shine a Light, Na Natureza Selvagem, O Sonho de Cassandra, para citar alguns. Por acaso isso seria ‘culpa’ do público leopoldense, que é mais restrito a um determinado gênero de filme? Espero que consiga algum esclarecimento.
Obrigada pela atenção,
Mariana Kluge”.
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Abaixo segue um curta que encontrei no blog do Marcelo Tas. Vincent é um dos primeiros filmes de Tim Burton e já demonstra como seria o estilo do diretor. E, assim como alguns outros trabalhos de Burton, parece ter um viés meio auto-biográfico. De qualquer modo, é muito bom. Eu daria uma nota alta. Nove. Ou dez:
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Entre os vários filmes que passaram pelo meu aparelho de dvd nesse feriadão de 21 de abril o que mais me chamou a atenção foi, por incrível que pareça, O Poderoso Chefão. Já assisti a essa obra prima de Francis Ford Coppola uma penca de vezes, mas sempre acabo descobrindo algo a mais. Agora, por exemplo, percebi que Virgil Solozzo (aquele que acaba sendo morto por Al Pacino no restaurante, junto com o capitão da polícia) arquiteta a morte de Don Corleone só para que Sonny assumisse o poder e, assim, liberasse a venda de cocaína.
A descoberta mais intrigante, no entanto, foi outra. Algo talvez assustador e que, ao contrário dessa minha explanação acima, mesmo quem nunca viu O Poderoso Chefão vai entender. O fato é que na cena do funeral, já no fim do filme, um rosto feminino aparece refletido do nada, bem ao estilo “fantasma em foto antiga”. Isso é bem visível no momento em que Michael Corleone levanta, como você pode ver abaixo, no lado direito da imagem:

Segundo os meus cálculos, o rosto aparece quase o tempo todo durante um intervalo de dois minutos (de 2:34:12 a 2:36:13), mas só é bem visível quando o fundo é escuro. Dei uma pesquisada na Internet e ninguém parece saber explicar direito o fenômeno. Há somente o consenso de que o rosto provavelmente é o de Mama Corleone, que estava sentada ao lado de Pacino – em pose constrangedora – na cena do funeral:

O tal reflexo, aliás, só aparece quando Mama Corleone não está dentro de quadro. Eu realmente não sou entendido no fazer de filmes, então não sei se isso foi um problema de iluminação, nas lentes, na edição ou na película propriamente dita. Na versão de O Poderoso Chefão com os comentários do diretor, Coppola também não explica nada, nem percebe a aparição do rosto. Só fala que a cena do funeral foi filmada com duas câmeras, e que o diretor de fotografia Gordon Willis preferia ter filmado com uma só.
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Um dia desses tive uma aula sobre Marshall McLuhan, influente teórico da área da comunicação. Logo depois alguém me disse que ele, McLuhan, fazia uma ponta em Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, de Woody Allen. Eu já tinha assistido ao filme há uns anos, mas realmente não lembrava dessa passagem. Então fui conferir.
O trecho em que McLuhan aparece (como ele mesmo) é curto, não chega a vinte segundos, e faz parte de um dos vários planos-sequência do filme. Abaixo está uma versão com imagem não muito boa e sem legendas, mas pelo menos é widescreen. Vale a peso de curiosidade.