Os vencedores em Gramado
27/09/2008, 17:02
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O Festival de Cinema de Gramado este ano foi pragmático em relação a sua competição de longas-metragens brasileiros: laureou os melhores.  Ao contrário do que ocorrera em 2007, quando quase todos os concorrentes abocanharam algum prêmio, esta edição do Festival distribuiu os Kikitos entre apenas três filmes.  

         Juventude ( Brasil, 2008 ), na minha opinião, foi o melhor. É um filme leve, com narrativa fluente e que, de tão bom, passa num piscar de olhos. Conduzido pelo consagrado diretor Domingos Oliveira – que também faz as vezes de ator – o longa acompanha o encontro de três homens na casa dos 70 anos, amigos que há muito tempo não se viam. Além de Domingos, no elenco principal ainda estão Paulo José e Aderbal Freire Filho, diretor de teatro não muito conhecido no cinema. O longa teve alguns problemas técnicos na exibição em Gramado, mas que não chegaram a prejudicar a essência do filme: roteiro com diálogos inteligentes, ao estilo Woody Allen. Juventude ganhou os Kikitos de melhor diretor, roteiro, montagem e qualidade artística.  

         Outro filme muito bom – e comentado – foi A Festa da Menina Morta ( Brasil, 2008 ). Com a estréia do ator Matheus Nachtergaele no cargo de diretor e roteirista, o longa retrata um vilarejo no interior da Amazônia que prepara uma cerimônia religiosa. A festa cultua o vestido rasgado de uma criança que, supostamente, morreu há vinte anos atrás. Durante uma coletiva de imprensa em Gramado, Nachtergaele confessou que escreveu o personagem principal, Santinho, pensando em interpretá-lo. Mas foi a produtora do filme, Vânia Catani, quem sugeriu Daniel de Oliveira para o papel. Fizeram a escolha correta. Famoso por sua interpretação de Cazuza, o ator deu veracidade a Santinho, jovem elevado à condição de líder religioso daquela comunidade. A Festa da Menina Morta levou os Kikitos de melhor ator, fotografia, música e prêmio especial do Júri, além de ser escolhido o melhor filme brasileiro pela crítica e pelo Júri Popular. 

         O grande vencedor do Festival, entretanto, foi outro. Nome Próprio ( Brasil, 2008 ) conta a trajetória de Camila, blogueira de vida conturbada que sonha em se tornar escritora. O filme é bom, mas perde o ritmo nos minutos finais. Fica a impressão de que o diretor Murilo Salles deixou muita coisa sobrando. O que compensa é a grande atuação de Leandra Leal, que interpreta os altos e baixos da complexa protagonista. O filme ganhou os Kikitos de melhor atriz, direção de arte e ainda a estatueta de melhor longa-metragem brasileiro. Para mim foi uma escolha equivocada. Em ano de Olimpíadas, Nome Próprio seria merecedor apenas da medalha de bronze. 

Publicado originalmente na revista News – Nº 77