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Toda vez que é lançado um novo filme baseado em livros, quadrinhos ou séries antigas – o que, nos últimos anos, tem acontecido mais ou menos de mês em mês – surge o dilema: como agradar aos fãs e, ao mesmo tempo, se fazer compreensível ao grande público? Não posso responder pelo primeiro grupo, mas, para mim, um iniciante em jornadas estelares, Star Trek (EUA/ Alemanha, 2009) superou as expectativas.
O longa se baseia na primeira versão do seriado Jornada nas Estrelas, produzido entre 1966 e 1969 nos Estados Unidos, que acompanhava as aventuras interplanetárias da nave Enterprise, em pleno século XXIII. Com o cancelamento do programa no final da década de 60 e com a legião de fãs ávidos por novas histórias, foram surgindo derivados, com personagens e cronologias bem distantes da série original. Ao todo foram cinco versões televisivas e mais 10 longas feitos para o cinema.
Star Trek, o décimo primeiro filme, narra a viagem inaugural de Enterprise e de seus ainda novatos tripulantes. No enredo, James T. Kirk é um jovem rebelde cujo pai, morto em uma missão, é tido como herói na Frota Estelar. Meio sem rumo na Terra, Kirk aceita ingressar na academia de cadetes da Frota, onde conhece o orelhudo e semi-humano Spock. Três anos mais tarde, em sua primeira viagem, Enterprise tem que enfrentar um grupo de alienígenas vindos do futuro e Kirk se vê obrigado a assumir o comando da nave para salvar o universo.
O roteiro segue bem o modelo hollywoodiano de evolução dramática, cheio dos cronometrados “pontos de tensão”, e se desenrola numa marcha pra lá de acelerada. Nada, no entanto, impossível de se acompanhar. O filme vende muito bem a realidade futurista, fazendo com que nem sequer as passagens mais fantasiosas pareçam inverossímeis.
Clichês também foram superados. Mesmo estando longe de uma originalidade criativa, Star Trek consegue pelo menos contextualizar seus vilões. Ao estilo Blade Runner, aqui eles ultrapassam a típica rasa complexidade dos inimigos e expõem explicações por trás de seus atos. Com algum esforço é até possível extrair algumas questões filosóficas.
Os fãs, entretanto, querem sempre mais do mesmo. Como sou leigo no universo trekker, infelizmente não posso adiantar quais foram as referências que o diretor J. J. Abrams preparou. Mas independentemente das piadinhas internas, Star Trek é um ótimo exemplar de cinema-entretenimento. Um filme que cumpre muito bem a proposta que faz: dar nova vida a uma franquia que ainda tem muitas galáxias a percorrer.
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