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Manhã Transfigurada é um projeto antigo. Foi ainda em 1996 que o diretor Sérgio de Assis Brasil teve a idéia de levar para as telas o romance homônimo de autoria de seu primo, Luiz Antônio de Assis Brasil. A adaptação primeiramente foi pensada para a televisão, mas logo se direcionou ao cinema. E então começaram os percalços no caminho do filme.
Segundo o produtor do longa, Álvaro de Carvalho Neto, o que provavelmente mais atrasou a realização do projeto foi o fato de o diretor fazer questão de rodar todo o filme em Santa Maria, cidade onde morava. No Brasil, ninguém nunca havia feito cinema independente exclusivamente no Interior, longe dos grandes centros produtores. Além disso, o breve currículo como cineasta de Sérgio de Assis Brasil dificultava a aprovação do projeto nas Leis de Incentivo à Cultura.
Somente em 2002, com a entrada de Carvalho Neto na produção e a formação de nova equipe, é que Manhã Transfigurada começou a ser rodado. As gravações se estenderam por mais de um ano, tempo demais mesmo para um longa-metragem. Em 2004, Sérgio conseguiu editar uma primeira versão do filme, o que permitiu a captação de recursos para a pós-produção. No final do ano passado, o filme teve seu corte final concluído, e então sofreu seu maior baque: o diretor perdeu a luta que travava contra o câncer. Sérgio faleceu no dia 26 de dezembro de 2007.
Por sua trajetória complicada e por ter conseguido tornar Santa Maria uma referência na produção audiovisual gaúcha, Manhã Transfigurada foi selecionado para ser exibido fora de competição no 36º Festival de Cinema de Gramado. Antes da sessão, equipe e elenco agradeceram e dedicaram o filme a Sérgio, seu maior defensor.
Ainda sem previsão para estrear no circuito comercial, o longa deve ser exibido em sua “cidade natal” durante o 7º Santa Maria Vídeo e Cinema, que acontece no mês de novembro deste ano.
Publicado originalmente no site Portal 3.
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O texto abaixo é apenas um trecho de uma das minhas críticas no jornal Pois É, então não estranhem o (pouco) tamanho.
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. . . . O uruguaio O Banheiro do Papa, que assisti no Festival de Gramado do ano passado, somente agora entrou em cartaz no circuito comercial brasileiro. O filme vale a viagem até Porto Alegre – já que é bem improvável que seja exibido em São Leopoldo – pois é o tipo de obra onde a simplicidade faz a qualidade. O enredo, ambientado em 1988, é inspirado em fatos reais: na cidadezinha de Melo, perto da fronteira com o Brasil, todos estão ansiosos pela visita do Papa João Paulo II. Acreditando que o evento irá atrair multidões, os moradores do lugar preparam montes de comida para vender. Beto, entretanto, resolve construir uma latrina. Afinal, tudo que entra, sai..
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. . . . O longa foi escrito e dirigido por Enrique Fernández e por César Charlone, diretor de fotografia de Cidade de Deus e dos demais filmes recentes de Fernando Meirelles. Ambas as funções da dupla uruguaia, estreante na direção de longas-metragens, foram muito bem desempenhadas. O roteiro é leve, mesclando drama e comédia, e consegue ser profundo, sem cair naquelas escancaradas lições de moral. Fernández e Charlone também levam jeito no trabalho com o elenco, formado em sua maioria por amadores. O protagonista César Troncoso – esse sim, ator de verdade – é um destaque a parte. Tem uma interpretação tão natural que quase esquecemos que está atuando. No Festival de Gramado de 2007 O Banheiro do Papa conquistou os Kikitos de melhor ator, melhor atriz e roteiro, além dos prêmios da Crítica e do Júri Popular.
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Publicado originalmente no jornal Pois É – Nº 19.
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Não é de hoje que fazer cinema no Brasil é uma luta. Além do alto custo das filmagens, o lançamento do produto final é um desafio à parte. E na disputa por salas de cinema com blockbusters estado-unidenses, normalmente são os brasileiros quem saem perdendo. Essa realidade é desanimadora para muitos cineastas, mas não para Paulo Pons (foto acima, ao lado da atriz Bárbara Borges). Diretor do longa-metragem Vingança, exibido ontem à noite na mostra competitiva do Festival de Gramado, ele tem um projeto para amplificar a produção nacional.
Gaúcho de Pedro Osório, Paulo é sócio e idealizador da PAX Filmes, uma novata produtora carioca que tenta criar um novo modelo de realização e distribuição de filmes de baixo orçamento. O primeiro passo do grupo foi fugir do tradicional discurso de que filmar em película requer muita verba e que por isso é necessário recorrer ao digital. Paulo enfatiza: “Fazer tudo em digital foi uma opção nossa, e não um caminho alternativo”.
O segundo passo apontado pelo diretor é não depender das Leis de Incentivo à Cultura, que financiam hoje grande parte da produção audiovisual brasileira. Para ele, a saída para o cinema nacional é produzir cada vez mais filmes, a baixo custo. “Vingança custou apenas 80 mil reais, mas com até 250 mil é possível fazer bons longas em digital. E a esse preço também é possível produzir em quantidade. Se nós, cineastas, tivermos sempre vários filmes de qualidade para serem exibidos vamos acabar ampliando esse mercado, à força”, explica.
E quem deu o primeiro passo para criar essa linha de produção cinematográfica foi a própria PAX. Em 2007, além de Vingança, a produtora realizou outros três filmes, que estão agora em processo de finalização. Para daqui a alguns anos, em 2012, os planos são mais ambiciosos. O grupo pretende ter produção anual de 20 longas-metragens até lá. Mas o que Paulo Pons não imaginava era que fosse entrar para a elite do cinema nacional tão cedo. “Vingança é o primeiro filme da nossa produtora, e foi uma surpresa conseguirmos participar do Festival de Gramado assim, logo de cara. Melhor, impossível”, confessa.
A recepção do público do Festival a Vingança, entretanto, foi morna. Apesar de o filme ter sido bastante aplaudido por alguns grupos ao final as sessão, os comentários demonstravam o contrário. “É muito chato, lento, sem ação. Faltou desenvolver melhor a história”, diziam uns, ao passo que outros eram mais enfáticos: “Tão ruim que é capaz de ganhar o Kikito”.
Publicado originalmente no site Portal 3.