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Em um universo de histórias em quadrinhos dominado por mutantes voadores e visões de raio-x, o homem-morcego é o único verdadeiramente humano, real. Um herói crível surgido de traumas psicológicos e que enfrenta inimigos maníacos, personificações de um mundo insano. Nos cinemas, o recente Batman – O Cavaleiro das Trevas encarna muito bem esse espírito.
. . . . A seqüência de Batman Begins inicia com uma Gotham City praticamente livre da violência. Ao passo que o homem-morcego (Christian Bale) combate o crime à noite, o incorruptível promotor Harvey Dent (Aaron Eckhart) põe a ladroagem atrás das grades durante o dia. Mas como é dito no próprio filme, a noite é mais escura logo antes do amanhecer. Para estragar a festa dos homens da lei surge o Coringa, um terrorista ensandecido de dar medo em qualquer um. Morto por overdose em janeiro desse ano, o ator Heath Ledger tem um desempenho assombroso na pele do vilão e rouba as atenções mesmo quando não está em cena. Merecidos os prêmios póstumos que virão.
. . . . A carga dramática do Coringa poderia, então, deixar Batman como coadjuvante dentro de seu próprio filme (vide versão de Tim Burton, de 1989). Mas não é o que acontece em O Cavaleiro das Trevas. O diretor Christopher Nolan soube equilibrar o peso de cada personagem na trama. Mérito também de um roteiro inovador e complexo, bem superior às demais adaptações de HQs para o cinema. O longa segue a linha dos enredos policiais e não aqueles típicos dos super-heróis. Além disso, a trilha sonora sombria composta por Hans Zimmer e James Newton Howard é sutil e completa o clima sinistro.
. . . . O Cavaleiro das Trevas, entretanto, não é perfeito. O filme tem tudo para ser um bom ensaio sobre a loucura, mas não é. Faltou uma abordagem psicológica e intimista, que poderia começar pela edição. Os cortes meio afobados (às vezes tive a impressão de que os diálogos foram encurtados) poderiam dar lugar a planos mais longos, reforçando o peso dramático das cenas. Outro ponto que causa leve incômodo é a onipresença do Coringa. Ele consegue implantar bombas a qualquer hora e em qualquer lugar com a maior facilidade.
. . . . Mesmo com pequenos furos no roteiro e sem o aprofundamento que sugeri, O Cavaleiro das Trevas é, sem dúvida, a melhor adaptação de Batman já feita para o cinema. Mas, para mim, ainda não é o filme definitivo sobre o vigilante mascarado de Gotham City.
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Uma comédia de erros. Essa poderia ser a frase complementar no título de Agente 86 (Get Smart, EUA, 2008). Claro que os cinéfilos, e aqueles com boa memória, sabem e lembram que essa frase já foi usada, em 1996, no título brasileiro de Fargo. Mas, naquela ocasião, acho que a sentença vendia erroneamente o filme. Afinal, Fargo não é exatamente uma comédia típica, dessas que o público está acostumado a assistir. É algo mais sutil, inteligente e com humor negro. Já Agente 86 segue a linha tradicional da comédia. E são os erros a alma do enredo.
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. . . . O filme começa apresentando Maxwell Smart (Steve Carell), um simples, atrapalhado e burocrático investigador do CONTROLE, fictício órgão da inteligência americana. Smart sonha em ser promovido a agente secreto, o que se torna realidade quando CONTROLE sofre um ataque e tem seus dados roubados. Segundo o argumento do filme, quase todos os outros agentes haviam sido descobertos, então nada mais natural do que criar um novo, desconhecido pelos inimigos do grupo KAOS. Surge assim o Agente 86. Na companhia da bela Agente 99 (Anne Hathaway), ele parte para a Rússia em busca dos vilões e na tentativa de salvar o mundo – ou os Estados Unidos, pelo menos.
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. . . . Roteiros como esse, convenhamos, já foram produzidos aos montes em Hollywood. Mas Agente 86 nem poderia tentar fugir disso ou buscar originalidade. A proposta do filme (baseado na série televisiva de mesmo nome, sucesso na década de 1960) é justamente satirizar os enredos de espionagem, ao estilo James Bond. O filme atinge o objetivo na dose certa, sem descambar para o exagero. São poucas as cenas de humor tipo pastelão e a graça se concentra principalmente em Steve Carell. O ator – de O Virgem de 40 Anos e Pequena Miss Sunshine – é a bola da vez da comédia norte-americana e consegue manter um ar sério mesmo durante os erros e confusões do Agente 86.
. . . . No elenco ainda estão presentes nomes consagrados no cinema. Alan Arkin interpreta o chefe do CONTROLE, enquanto Terence Stamp comanda os vilões do KAOS e James Caan dá vida ao presidente dos Estados Unidos. Para completar, Bill Murray faz uma participação surpresa. Honrando o nível dos atores, Agente 86 é uma boa diversão. Passa longe do genial, mas é um oásis de bom humor em meio às bobagens apelativas que dominam o mercado.
Publicado originalmente na revista News – Nº 75
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Há uns meses atrás, quando soube que M. Night Shyamalan ia lançar um novo filme de suspense, fiquei com medo. Não com medo da história sombria, mas de que o diretor de O Sexto Sentido conseguisse enterrar de vez sua carreira. Afinal, ultimamente ele não vem realizando bons trabalhos: A Vila, de 2004, já dava sinais de decadência e em 2006 A Dama na Água alcançou a ruindade extrema. Mas ainda não é dessa vez que Shyamalan entra para a turma dos fracassados sem volta. Seu novo filme, Fim dos Tempos, não chega a ser péssimo.
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. . . . A trama é sinistra. Em Nova York tudo está tranqüilo quando, de repente, uma espécie de transe suicida invade a cidade. Sem nenhum motivo aparente as pessoas param, olham para o horizonte como sonâmbulos e então se matam da maneira que estiver mais acessível. Alguns se atiram de prédios, outros se enforcam ou recorrem ao tradicional tiro na testa. Claro que, para o filme poder continuar, nem todo mundo é afetado ao mesmo tempo. O personagem de Mark Wahlberg, por exemplo, pega esposa e melhor amigo e foge para o interior da Pensilvânia tentando – inutilmente – escapar do tal surto.
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. . . . Não vou contar aqui o desfecho da história, mas é preciso dizer que Fim dos Tempos tem um marcante tom ambientalista, na linha “a vingança da natureza”. Outro ponto interessante do filme é a habilidade do diretor em criar um aterrador clima de suspense. Shyamalan mesmo sem estar em sua melhor forma consegue fazer com que uma simples brisa na copa das árvores produza calafrios no público.
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. . . . O lado ruim do filme fica por conta desse enredo sem pé nem cabeça (e também sem explicação), além do péssimo desempenho do elenco. São atuações inexpressivas, amadoras, mas que claramente estavam seguindo orientações do diretor. Wahlberg fala quase cochichando ao longo de todo o filme e Zooey Deschanel, que interpreta sua esposa, sustenta um rosto sonso e ingênuo.
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. . . . Assim Fim dos Tempos acaba sendo um filme B com boa produção. Mas é a prova de que alto orçamento não concerta roteiro falho.
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Publicado originalmente no jornal Pois É – Nº 18
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Começo essa postagem falando do próprio blog. Quer dizer, é só pretexto para eu me auto-promover um pouco, mas preciso falar: o Sobretudocinema apareceu na Zero Hora. Isso mesmo. Este humilde blog saiu num dos principais jornais do Rio Grande do Sul. Na verdade tudo começou ano passado, quando eu ganhei a promoção de ZH para fazer parte do Júri Popular do Festival de Cinema de Gramado. Durante aquela semana – além de dormir, comer e rir de graça – eu tive a oportunidade de escrever diariamente em Zero Hora pequenos relatos da vida de jurado.
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Bem, um ano se passou e agora o Lerina (Roger), “dono” da contracapa do Segundo Caderno, pediu para eu escrever um testículo sobre o ser jurado em Gramado e chamando o pessoal para a promoção desse ano. Junto com meu texto o pessoal do jornal falou mais sobre o Júri Popular e, ali, meu blog foi citado.
Abaixo, o texto de ZH sobre a promoção do Júri Popular:
Quer ser jurado do Festival de Gramado?
Chega a sua terceira edição uma das iniciativas mais elogiadas do Festival de Cinema de Gramado. Desde 2006, o Júri Popular da competição é formado por leitores cinéfilos de alguns dos principais jornais brasileiros, entre eles Zero Hora, que elegem o vencedor de um dos mais importantes Kikitos do certame.
ZH lança hoje uma promoção para escolher o representante do jornal nesse júri - no ano passado, o escolhido foi o estudante de jornalismo Eduardo Nozari, de São Leopoldo.
O número de integrantes do Júri Popular vem crescendo desde que foi criado o novo formato: em 2007, foram 12 jurados, escolhidos por veículos de imprensa de nove Estados; agora, na 36º edição do festival, o grupo será formado por 15 leitores. De 10 a 16 de agosto, esses jurados terão que assistir a 11 longas-metragens (seis brasileiros e cinco latino-americanos), entre os quais decidirão que títulos levarão os prêmios de melhor filme nacional e estrangeiro.
Zero Hora está outra vez integrada ao concurso. Para participar, é só clicar aqui e escrever sua opinião sobre o melhor filme brasileiro que você tenha visto recentemente. O texto deve ser enviado até o dia 31 deste mês e ter no máximo 950 caracteres. O vencedor será escolhido pela equipe do Segundo Caderno e ganhará da organização do Festival de Gramado translado, estadia e alimentação - assumindo, em contrapartida, o compromisso de assistir a todos os filmes das mostras competitivas de longa-metragem.
Em 2006, o primeiro jurado eleito por ZH para o Festival de Gramado foi o santa-cruzense Tiago Rech, então estudante de jornalismo que atualmente estuda cinema em Los Angeles, nos EUA. No ano passado, foi a vez de Eduardo Nozari, que mantém o blog de cinema sobretudocinema.wordpress.com, representar os leitores do jornal na competição.
Já o texto que eu escrevi vou publicar logo mais, junto com aqueles do Festival do ano passado. Mas, enquanto isso, pode ser conferido no Primeira Fila, o blog sobre cinema da Zero Hora. Lá, aliás, também tem um vídeo que me fizeram gravar. Tudo em nome do cinema.
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